Menu

Capítulo 3: Marcas da Distribuição: Elementos de Caracterização e Evolução no Mercado

A marca é «um sinal que serve para distinguir os produtos e serviços de uma empresa dos de outras empresas» (Lencastre, 2005:34).

3.1. História da Marca

A palavra “marca” provém do verbo “marcar”, que por sua vez teve origem do termo inglês “brand” antigo nórdico “brandr”, (“brand” em inglês) cujo significado é “queimar”. A marca existe desde os povos da pré-história que faziam gravações a ferro quente no seu respectivo gado, para o diferenciar de outros gados existentes. Desde da pré-história que existe a necessidade da diferenciação, contudo com o passar dos anos passou a haver maiores trocas e criação de produtos e com isso surge a necessidade de haver uma maior diferenciação dos bens existentes.
Segundo Lindon [et. al.] (2004:168) indicam que as marcas existem desde as trocas comerciais e ao longo dos anos têm sofrido várias alterações. Em torno das marcas são criados múltiplos sentidos, de modo a que em torno de um produto sejam criadas associações para além das tangíveis, ou seja, que um produto possa responder a mais necessidades para além da sua funcionalidade.
Olins (2005: 52) indica que o surgimento da primeira marca a ser criada, de acordo com os parâmetros equiparáveis ao século XXI, foi em 1909, em que um proprietário de uma farmácia mal sucedida criou o tónico, Tono-Bungay. Associado a este tónico foi criado uma estratégia, considerada pelo autor como tendo adoptado os princípios actuais de gestão de uma marca. Inicialmente pensou-se numa estratégia global e actuou-se local, houve a criação de associações, anúncios de jornais, atraentes e positivos.

Contudo Kapferer (2000: 7) indica que as marcas existem desde 1985. A recessão económica mundial do início da década de 80 trouxe consigo uma onda de “europessimismo”. Em 1985 a Comissão Europeia, sob a presidência de Jacques Delors, estabeleceu a criação do Mercado Único Europeu, cujo objectivo, definido pelo Portal da União Europeia era criar uma união entre os países da União Europeia onde é possível circular livremente pessoas, mercadorias, serviços e capitais.

Kapferer (2000: 8) indica que foi a partir dessa altura que se notou uma vaga de fusões e aquisições de empresas por valores excessivos e cujo objectivo das aquisições era as empresas tomarem uma posição no mercado e criar valor para a sua marca, fazendo com que a sua marca fosse a mais desejada pelos consumidores. Foi a partir dessa altura que se começou a notar que o verdadeiro valor de uma marca, estava a ir para além dos factores visíveis de uma empresa. O autor menciona ainda que foi a partir desse marco que passou a haver a distinção entre marca e produto, «o produto é aquilo que a empresa fabrica, a marca é aquilo que o cliente compra» (Kapferer, 2000: 8).

Verifica-se portanto que não há um consenso relativamente à origem das marcas, e cada autor aborda as origens das marcas de modo distinto, contudo compreende-se que o surgimento das marcas não são um fenómeno recente. Neste sentido surge a importância de se perceber a sua evolução ao longo dos tempos.

3.2. A evolução das marcas no mercado

Segundo Ries e Ries (2004) e baseando-se na teoria de Charles Darwin sobre a evolução da espécie:

«As afinidades entre todos os seres de uma espécie foram algumas vezes representadas por uma grande árvore… os galhos verdes a despontar representam as espécies existentes e os que nasceram em anos anteriores uma longa sucessão de espécies extintas. Em cada período de crescimento todos os galhos tentaram abrir caminho por vários lados, sobrepondo-se e matando os ramos circundantes, da mesma forma que as espécies tentaram sobrepor-se umas às outras na grande batalha pela vida.» (Ries e Ries 2004:19).

Partindo dessa mesma teoria os autores indicam que tal como a evolução da espécie, tudo que existe actualmente surge de algo que existiu primeiro. Nesse âmbito, também as marcas surgem nesse sentido, uma marca surge baseando-se em outra existente e tenta acrescentar novos valores de modo a tornar-se pioneira no mercado.
Os autores abordam várias temáticas sobre como uma marca consegue vingar no mercado.

Ries e Ries (2004) referem que uma marca para ter sucesso tem de conhecer bem os produtos idênticos de marcas já existentes e a partir daí realizar a sua estratégia de modo a criar uma marca cujo produto novo e que substitua o já existente. Após a criação de uma marca é necessário acompanhar a concorrência e as tendências.

3.3. Marca: o conceito

Segundo Lencastre (2005), uma marca é:

«é um sinal, pode ser um conjunto de sinais, com expressão gráfica para ser legalmente protegível; pode ser um nome, um logótipo […] Em qualquer caso é um sinal de um objecto sujeito a múltiplas interpretações, tantas quantas os intérpretes que com ele se confrontam […]» (Lencastre 2005: 67).

Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (5), uma marca é um sinal que identifica produtos ou serviços de uma empresa. Uma marca ao ser registada passa a conceder ao titular dessa mesma marca direitos de exclusividade, ou seja de impedir “imitações” dessa mesma marca em produtos idênticos.

Uma marca é «um físico, um conjunto de características objectivas salientes (que vêm imediatamente ao espírito quando uma marca é citada numa sondagem) ou, pelo contrário, latentes manifestadas» (Kapferer, 2000: 37). Para o autor uma marca é definida de acordo com a sua identidade, tal como nós, seres humanos, que somos definidos de acordo com documentos que comprovam a nossa identidade.

5 - Dados disponíveis em: www.marcasepatentes.pt/index.php?section=125, consultado a 08 de Junho 2011.

Kapferer (2000: 87) refere ainda que a marca é, de facto, o nome de uma receita, uma vez que uma marca é criada através de um conjunto de “ingredientes” que a tornam mais ou menos apetecível aos olhos do consumidor. Uma marca bem-sucedida é intemporal, não pode ser copiada, ao contrário de um produto.
As marcas não definem a sua própria imagem, ou seja vai para além do significado associado à marca. As marcas também definem quem as consome. É possível definir estilos de vida e gostos através da análise de marcas que uma pessoa consome. «A marca só vive, só prova a sua missão se se exercer permanentemente e repensar constantemente o produto» (Kapferer, 2000: 85).

As marcas bem-sucedidas são aquelas que se conseguem impor na mente do consumidor e que passam a obter significados na sociedade, ou seja, «somos nós, consumidores, quem decide as marcas que terão sucesso e as que o não terão» (Olins, 2005:17). Olins reforça a função dos consumidores indicando que são os consumidores quem indicam qual o destino das marcas. Quando não transmite sentimentos, nem significados, então a marca não terá sucesso no mercado. Muitas da formas de comunicação das marcas vai para além do comunicar o produto inerente a essa marca, basta simplesmente comunicar a marca.

Para Olins (2005) não existe uma fórmula final para se poder criar e sustentar uma marca, contudo considera que é necessário perceber quatro vectores associados a uma marca para conseguimos percebe-la «produto, ambiente, comunicação e comportamento» (Olins, 2005: 186).

Segundo Lencastre (2007) uma marca deve ser um benefício, uma missão e uma razão de ser. As organizações que criam as marcas detêm sobre as mesmas, direitos e benefícios. As marcas criam valor não só ao produto como também criam valor para a organização que a representa. Uma marca «é um sinal de um objecto sujeito a múltiplas interpretações, tantas quantas os intérpretes que com ele se confrontam» (Lencastre 2007: 67).

Actualmente devido ao crescimento tecnológico facilmente se criam marcas, contudo nem sempre uma marca consegue vingar no mercado. Segundo Lindon [et. al.] mencionam que um produto pode ser copiado, contudo uma marca é única e os simbolismos a ela inerente não podem ser copiadas. A marca atribui valores e significados aos produtos, por vezes, o produto é semelhante, mas o facto de a marca ser visível pode ser um factor diferencial para influenciar na decisão de compra.

A uma marca conseguimos atribuir características intangíveis, valores, sentimentos, ideias e afectos. É através destas características que se distingue uma marca de um produto. Enquanto a um produto se associa características tangíveis a uma marca está associado um conjunto de características intangíveis. É na combinação entre o tangível do produto e o intangível da marca que se vai gerar o comportamento do consumidor, ou seja, o acto de compra surge na relação entre a percepção de um consumidor com uma determinada marca.

3.4. Identidade da Marca

Segundo Lencastre (2005: 56-58) a identidade de uma marca é a forma como esta se posiciona no mercado e se diferencia das outras marcas. A identidade de uma marca permite não só à marca, mas também à organização detentora da marca, de se tornar ímpar no mercado.

As marcas passaram a ter um significado mais ou menos idêntico ao significado dado à expressão “identidade empresarial” que é definida como «a experiência total oferecida por uma empresa aos seus colaboradores, clientes e outros, uma mistura temerária e distintiva de promessas intangíveis e atributos e vantagens palpáveis» (Clifton e Simmons, 2003: 133).

A identidade de uma marca é composta pelo visual e verbal que está associada ao que se vê de uma marca. A identidade visual está relacionada com as componentes gráficas de uma marca, como por exemplo: logótipo, símbolos, cores e tipos de letra, entre outros. A identidade verbal está associada ao nome da marca, submarcas, nomes de produtos, lema, tom de voz, recursos a histórias.

É através da conjugação da identidade visual e verbal que faz com que as marcas tomem sentido e passem a ser detentoras de um conjunto de valores que por sua vez se tornam num conjunto de benefícios/vantagens para quem as consome.

Quando um consumidor se identifica com uma marca, passa a existir uma estima e uma preferência por essa mesma marca. Através da diferenciação há um delinear de um público e o estabelecimento de uma diferenciação de outras marcas.

A identidade de uma marca são um conjunto de significados que lhes são inerentes consoante a identidade visual e verbal criada em torno da marca, ou seja «a brand identity similarly provides direction, purpose and meaning for the brand» (Aaker, 1996: 68).
É através da identidade de uma marca que se cria a relação entre a marca e o consumidor, é a identidade de uma marca que cria o valor em torno funcional e emocional de uma marca. A identidade de uma marca vai permitir criar uma direcção e significado para o consumidor.

3.5. Funções da Marca

Uma marca apresenta diferentes funções que por sua vez estão associadas ao seu valor enquanto marca, existem funções da marca associadas aos consumidores e por último existem funções das marcas associadas à empresa detentora dessa mesma marca.
Segundo Aaker (1991) as marcas ajudam-nos a interpretar e a processar a enorme quantidade de informação existente sobre produtos e marcas.

Segundo Lencastre (2005: 77) uma marca é um instrumento importante para a actividade económica e que são importantes para que haja hipótese de opção para os consumidores e que haja concorrência.

Coelho (2007) indica que as marcas apesar de terem como principal objectivo ser um factor de distinção e diferenciação, actualmente são também fontes de sedução. Uma marca bem sucedida no mercado, tem como principal objectivo “marcar”, ou seja diferenciar-se das outras marcas e trazer benefícios para a empresa que a produz e para o consumidor. As marcas são por isso um dos maiores activos de uma empresa, e criar uma marca, implica saber o que o consumidor procura, uma vez que associado a uma marca existem os valores tangíveis, ou seja valores associados a função do produto em si, e também os valores intangíveis, ou seja os valores alcançados através das associações realizadas em torno da marca. Uma marca é o espelho de uma organização, uma vez que nela estão associados inúmeros factores tais como: «um nome, um símbolo, um logótipo, um conjunto de sinais identificativos mais ou menos complexos» (Coelho, 2007: 3) ou seja, resulta de um conjunto de acções e manisfestações de uma empresa.

3.5.1. Valor da marca

De acordo com Aaker (1991) citado por Lencastre (2005) o valor de uma marca, ou seja, o brand equity depende essencialmente dos pilares que suportam a marca e o valor dessa mesma marca está na resposta que a marca obtém nos seus mercados-alvo. Segundo Lencastre o valor de uma marca pode estar associado a «uma adesão e de uma fidelidade… a uma imagem, a uma missão, a um sinal» (2005: 69).
Carvalho e Cunha (1998: 30) indicam que os activos e passivos de uma marca podem ser percebidos em cinco categorias:
1. Fidelidade à marca – base de clientes, estabilidade na procura, redução de custos, serviço;
2. Notoriedade do nome – reduz custos de marketing, segurança, consideração, popularidade;
3. Qualidade percebida – razões de compra, posicionamento, preço, valor percebido;
4. Associações de marca em adição à qualidade percebida – estilos de vida, atitudes e emoções, extensões percebidas;
5. Activos propriedade da marca.
Associado ao valor de uma marca surge o retorno financeiro, que segundo Carvalho e Cunha (1998: 33), os factores que determinam esse retorno são os seguintes:

  • Liderança de quota de mercado;
  • Estabilidade de tempo de vida;
  • Situação do mercado onde actuam;
  • Situações do mercado internacional – se estão presentes ou não;
  • Tendência – evolução de vendas positiva;
  • Apoio em acções publicitárias e de serviço;
  • Protecção legal.

3.5.2. Funções associadas ao consumidor

Uma marca permite que os consumidores lhes possam associar um conjunto de valores positivos ou negativos, ou seja uma marca «identifica, garante, estrutura e estabiliza a oferta: reduzindo o risco e a incerteza, tira daí o seu valor» (Kapferer, 2000:8). Uma marca tem como principal função identificar e diferenciar, tornando-se em um contrato psicológico entre uma marca e um consumidor, de modo a cumprir esse contrato é necessário que uma marca tenha na base da sua constituição vários factores «(…) (I&D), produção, métodos, logística, marketing, finanças» (Kapferer, 2000:18). Para que uma marca esteja sempre de acordo com as expectativas do cliente surge a necessidade de uma boa estrutura interna e externa.

Para o consumidor a marca permite a criação de um conjunto de valores que permite a diferenciação entre os produtos, uma vez que «os produtos são mudos, é a marca que lhes dá um sentido» (Kapferer, 2000: 17).
Devido à globalização e ao crescimento da oferta no mercado a marca cria benefícios para o consumidor, nomeadamente o da confiança. O consumidor ao confiar em uma marca permite-lhe efectuar uma compra com um menor risco, ou seja, as marcas permitem ao «consumidor comprar com confiança e providenciam um mapa que os orienta através de uma desconcertante variedade de escolhas» (Clifton e Simmons, 2010:19). É de reforçar que uma marca é uma espécie de contrato que protege o consumidor contra o mimetismo.

Lencastre (2005: 282) faz um apanhado das nove funções de uma marca associada aos consumidores:
1. Identificação. Identifica os produtos;
2. Localização. O consumidor mais facilmente localiza a oferta existente no mercado que satisfaz as suas necessidades;
3. Prática. Possibilita a poupança de tempo na decisão de compra;
4. Garantia. Independentemente de quem distribui, permite ao consumidor ter garantia;
5. Personalização. Através de uma marca os consumidores comunicam quem querem ser;
6. Lúdica. Oferece prazer de escolha aos consumidores;
7. Continuidade. Satisfação relacionada com o conhecimento à marca;
8. Hedonista. Satisfação associada a marca, logo e comunicação inerente a essa marca;
9. Ética. Relação entre o comportamento responsável da marca e a sua relação com a sociedade.

Uma organização quando cria uma marca tem de anteriormente estar consciente das necessidades do consumidor, ou seja, para além das necessidades tangíveis que os produtos colmatam, também é necessário que uma organização esteja atenta as necessidades que a própria marca vai colmatar. As necessidades associadas às marcas são consideradas necessidades intangíveis.

3.5.3. Funções associadas a empresa

Uma marca tem a função de gerar capital para a empresa, nesse sentido o autor refere que «financeiramente, a ideia de uma marca forte é altamente atractiva» (Shaw, 2003: 125). Kapferer (1997: 31) refere que uma marca forte representa para a empresa que a vende uma estabilidade em termos de vendas futuras, margens financeiras e possibilita também a fixação de um preço premium.
Na perspectiva da empresa, a marca identifica o vendedor ou o produtor de um produto ou serviço. A marca e toda a sua envolvente têm como função representar uma espécie de compromisso por parte do vendedor em entregar um conjunto específico de benefícios aos consumidores. É através da marca que as empresas estabelecem uma espécie de acordo com os consumidores.

3.6. Tipos de Marca

Carvalho e Cunha (1998: 112-128) consideram que as marcas representavam produtos ou serviços de uma forma singular, com tudo com as modificações de mercado as marcas passaram a ser muito consideradas com veículos importantes para o lançamento de novas marcas.

Actualmente existem vários tipos de marcas, que passo a mencionar:

Marca produto – Uma marca é considerada um símbolo, pois podem estar inerentes elementos figurativos, tais como logótipos, emblemas, cores, forma, embalagem e design; uma palavra, pois as marcas são designadas por um nome; um objecto, uma vez que uma marca distingue produtos; e finalmente um conceito, pois estão lhe associados significados.

A marca produto diferencia produtos idênticos, mesmo sendo estes da mesma empresa, ao ter nomes diferentes conquistando diferentes segmentos, posicionam diferentes produtos, dentro da mesma gama, transmite sensação de novidade para um consumidor, uma vez que para cada produto é atribuído um novo nome, outra vantagem está relacionada com o facto se uma marca atribuída a um só produto for ser mal sucedida não irá prejudicar as outras marcas da mesma empresa, permite a flexibilidade de escolha de nome relativamente ao posicionamento do produto, permite ter um espaço maior nos locais de distribuição, quantas mais marcas existem, maior a competição e a busca por inovação. A dificuldade em criar marcas produtos está relacionado com um investimento a ser efectuado pela empresa, uma vez que o lançamento de um novo produto, implica o lançamento de uma marca, logo estão inerentes custos de publicidade e de teste ao produto; a relação do volume de produção/investigação e desenvolvimento; o sucesso de uma marca, não garante o sucesso de marcas sucessivas e por último o lançamento de novas marcas produto são apontadas como benéficas para a criação de marcas do distribuidor.

Marca umbrella – este tipo de marca é usualmente aquela marca genérica que sustem vários produtos em diferentes mercados, contudo cada produto apresenta uma diferente comunicação. As marcas umbrella permitem a entrada de novos produtos no mercado a um custo baixo, uma vez que a marca já se encontra registada e é possível beneficiar da reputação já existente da marca, não sendo necessário um grande investimento de campanhas publicitárias. Contudo o uso de marcas umbrella exige um esforço organizacional, uma vez que uma marca representando vários produtos distintos carece que diferentes departamentos façam a gestão dos diferentes produtos, contudo a gestão da comunicação não pode ser muito diferente e é necessário que nenhum produto fracasse, caso contrário poderá arrastar para a má reputação todos os produtos associados a essa mesma marca.

Extensão da marca – a extensão da marca permite que as empresas mantenham a sua marca viva, através da inovação e do seguir as tendências do consumo. Ao haver uma extensão de marca diminui-se os custos de comunicação, havendo vantagens competitivas na retenção de custos de comunicação, por último a extensão da marca permite uma renovação da marca na mente dos consumidores, para que a marca não caia no esquecimento.

Co-marca - uma co-marca surge da ligação entre duas marcas, com o intuito de se criar uma terceira marca ainda mais forte do que cada uma das marcas que a originaram. A criação de co-marcas permite as empresas criar esforços de competição e expansão das suas marcas em mercados que dificilmente entrariam sozinhas. Uma outra vantagem é a partilha de custos da criação e produção de uma terceira marca.

Outros tipos de marca:
Marca Gama – Marcas atribuídas a uma mesma gama de produtos, ou seja a produtos que partilham de um mesmo conceito.
Marca Família – Marca produto cujo nome é constituído por um prefixo ou sufixo associado a marca institucional.
Marca caução – Dupla marca, com intenção de complemento a marca menos conhecida. O autor dá o exemplo: Findus da Nestlé.
Marca genérica – Devido ao sucesso de uma marca, o seu nome pode ser generalizado de modo a que seja atribuído o nome da marca a produtos idênticos, mesmo não sendo dessa mesma marca. Exemplo: Gillete para lâminas de barbear.

Marca institucional/corporate - as actuais organizações têm de saber comunicar internamente (funcionários, fornecedores, entre outros), como também para os seus potenciais clientes. A imagem de uma organização tem de ser bem estruturada de forma a poder-se comunicar com os diferentes públicos. De modo a reforçar a sua comunicação, várias empresas optam pela criação de marcas corporate, onde inerente às marcas está toda a cultura e posicionamento dessa mesma organização.

Carvalho e Cunha (1998:128) inserem as marcas da distribuição, num tipo de marca institucional/corporate que apesar de ser recente em Portugal, já existe desde do século XIX nos E.U.A.

A apresentação dos tipos de marca permite efectuar uma contextualização das marcas, de modo a efectuar uma ponte com o próximo subcapítulo destinado às marcas da distribuição, que são o principal foco deste trabalho.

3.7. Marcas da distribuição

As marcas da distribuição são marcas que pertencem a um distribuidor e cuja distribuição é exclusiva a esse mesmo distribuidor. As marcas da distribuição são um dos principais causadores de alterações na grande distribuição.

Julgo ser importante definir previamente o que é um distribuidor. Segundo Lindon [et. al.] os distribuidores são:

«Os agentes do sistema de distribuição (grossista, centrais de compras, retalhistas, etc.) não são intermediários passivos, exercendo em geral uma grande influência sobre os consumidores, quer por escolha própria dos produtos/marcas que vendem, quer pela sua exposição e promoção, quer mesmo pelo papel de conselheiros que desempenham junto dos compradores (…)» (Lindon [et. al.] (2004: 56).

3.7.1 Distribuição Moderna

Simões (2009) indica que a distribuição «[…] mudou mais nas últimas duas décadas do que nos últimos dois séculos.» (2009:16), ou seja, houve a:

  • Diluição relativamente ao conceito de produção e distribuição, uma vez que muitas das vezes são os distribuidores que lideram o canal produtivo, pondo em causa a principal função dos produtores.
  • Concentração da distribuição nas grandes superfícies comerciais, ou seja, supermercados, hipermercados e retails-parks.

Segundo Simões (2009), «De facto, se é verdade que tem existido uma espécie de osmose entre os sectores da produção e da distribuição, a realidade e que são os distribuidores os novos “dominus” do canal, impondo as suas regras e o seu ritmo actuando, em boa medida, como líderes da produção» (2009:19).

Outrora os distribuidores eram intermediários que distribuíam bens produzidos por outras entidades. O lucro era obtido pelas comissões de vendas de produtos.

Segundo um estudo efectuado pela Roland Berger (6) confirma que a distribuição moderna surge do crescimento do número de médias/grandes superfícies e a redução de lojas de comércio tradicional; do crescimento das unidades discount; e do aumento de produtos de marca de distribuidores.

6 - Dados disponíveis em: www.anilact.pt/documentos/aped_conferencia_imprensa1.pdf, consultado a 09 de Janeiro 2011.

Associado a distribuição moderna está também a facilidade de disponibilização de produtos à venda, preços competitivos através do uso de economias de escala e do poder de negociação com os fornecedores, por último está associado com a distribuição moderna o maior horário funcionamento das zonas de comércio.

Foram essencialmente três os factores que alteraram substancialmente o paradigma da oferta no sector da distribuição moderna, nos últimos anos, no nosso país:
1) Crescimento do número de médias/grandes superfícies e a redução de lojas de comércio tradicional;
2) Crescimento das unidades discount, e;
3) Aumento de produtos de marca de distribuidores;
4) Alargamento das áreas de exposição e venda, que permite que sejam colocados à disposição dos consumidores, com maior rapidez e facilidade e nos meios adequados de exposição e apresentação, mais e melhores produtos;
5) Reduziu-se as margens de comercialização (diferença entre o preço de venda e o custo do produto), oferecendo aos consumidores preços mais baixos, transferindo assim, para estes, os ganhos decorrentes de economias de escala e da redução de custos logísticos, assim como os benefícios resultantes da aceleração do ritmo de rotação e do aumento do volume de vendas dos produtos adquiridos nas melhores condições de preço conseguidos na negociação com os fornecedores;
5) Alargamento dos horários de funcionamento das lojas, permitindo aos consumidores escolherem o momento mais adequado para efectuarem as suas compras.

Segundo o estudo efectuado pela Roland Berger (7) «o crescimento das redes de distribuição moderna em Portugal contribuiu para que os consumidores beneficiem dos melhores preços de mercado». Os consumidores passaram a ter mais escolha e a produtos de marca da distribuição cujo preço é mais acessível e a qualidade é igual ou superior ao das outras marcas, para reforçar esta premissa também no estudo elaborado pela Roland Berger menciona que «na selecção do formato em que fazem as suas compras, os consumidores valorizam principalmente o preço, a diversidade da oferta e a conveniência».

As marcas da distribuição estão intrinsecamente associadas à distribuição moderna, neste sentido no estudo realizado pela Roland Berger (8) referem que as marcas da distribuição trouxeram ao mercado português:

  • Diversidade/Gama;
  • Melhor relação qualidade/preço;
  • Produtos premium;
  • Facilitação de compra.
7 - Ibidem.
8 - Ibidem.

3.7.2. O conceito

Produtos cuja marca está associada a um distribuidor e que é comercializado apenas nas próprias lojas, ou seja, é «propriedade exclusiva dos distribuidores» (Simões, 2009: 20). As marcas da distribuição são criadas por quem mais tem conhecimento sobre o consumidor, sobre o que consomem mais, em que épocas consomem o quê, o que procuram, estilos de consumo, uma vez que através da distribuição conseguem traçar “mapas de consumismo”.

Actualmente é notório a emergência de marcas associadas aos distribuidores. O surgimento das marcas da distribuição vieram alterar o paradigma normal do mercado onde «os fabricantes produziam, os distribuidores vendiam» (Simões, 2009:20). A criação de marcas associadas aos distribuidores trouxeram vantagens relacionadas com o posicionamento dos distribuidores, estes conseguem-se evidenciar no mercado através dos seus produtos e ainda são meios de fidelização de clientes. Através das marcas da distribuição «os retalhistas procuram reforçar a sua competitividade, quer em termos horizontais (em relação aos outros distribuidores) quer em termos verticais (face aos próprios fornecedores). As marcas da distribuição ampliam a imagem dos distribuidores logo assume-se deste modo como uma poderosa ferramenta de marketing» (Simões, 2009:20).

Figura 3 – Marcas da distribuição

Marcas da distribuição

Os retalhistas têm posicionado não só as suas marcas de forma a concorrerem com os produtos de marcas já existentes. Os produtos das marcas dos distribuidores permitem que haja uma diferenciação face aos outros distribuidores, ou seja, posicionam e diferenciam. As marcas do produtor apenas diferem relativamente ao preço, localização e serviço, pois cada distribuidor possui os mesmos produtos das marcas do produtor.

3.7.3. A sua origem

Segundo Kapferer (2000: 136) as marcas da distribuição não são um fenómeno recente, sendo que surgiu em 1869 pela Sainsbury na Grã-Bretanha. Posteriormente em 1976 o Carrefour lançou as suas primeiras marcas. Essas marcas eram desprovidas de significado posicionando somente pelo seu baixo preço.

Simões (2009: 157) reforça a ideia que as marcas da distribuição não são um fenómeno recente e indica que estas precederam as marcas do produtor, ainda antes da Revolução Industrial.
«Segundo alguns autores a primeira marca do distribuidor a surgir nos Estados Unidos da América foi a Brooks Brothers, fundada em 1818. No Reino Unido a cadeira de estabelecimentos Sainsbury lançou em 1869 uma gama de produtos com a sua própria marca» (Simões, 2009:158).
Um marco importante na afirmação das marcas da distribuição foi em 1976 pelo Carrefour que lançou cinquenta produtos designados por “marca branca”, ou seja, produtos posicionados somente pelo baixo preço, desprovido de significado. Em Portugal foi o Continente, que em 1986 lançou a suas primeiras marcas.

Segundo Simões (2009:159) a evolução das marcas da distribuição passaram por três fases:

1ª Fase: Os produtos de marca da distribuição apareceram nas prateleiras essencialmente sem marca, baseados no preço baixo e qualidade inferior as marcas do produtor;
2ª Fase: Houve um melhoramento na qualidade dessas mesmas marcas e a embalagem surge idêntica à marca líder. O preço subiu, contudo fica abaixo do custo das marcas líderes;
3ª Fase: Existe uma forte aposta na qualidade do produto havendo uma aposta nas regras de controlo de produção e certificação. Em casos pontuais, os produtos das marcas da distribuição apresentam preços mais elevados fase as outras marcas. Relativamente a distribuição, passou a haver um espaço maior dedicado as marcas da distribuição face as marcas de prestígio.

3.7.4. A sua evolução no mercado

Inicialmente as marcas da distribuição eram designadas por “marcas brancas”, ou seja, os consumidores consideravam que eram produtos que apenas satisfaziam necessidades básicas, sem haver qualquer tipo de associação de imagem ao produto. Uma marca branca não continha valor para o consumidor. Actualmente os distribuidores passaram a atribuir as suas marcas, uma identidade, ou seja, estas passaram a ser marcas diferenciadoras.

O seu conceito primário associado às marcas da distribuição, inicialmente designada por “marca branca” prendia-se com a oferta de um benefício básico associado a um certo produto, não havendo critérios rigorosos de qualidade. Estes produtos na maior parte das vezes, não se encontravam em linha de destaque nos lineares da distribuição. Havia uma ausência de cor e imagem, e num conceito quase exclusivamente baseado em preço reduzido.

Na maioria dos casos, nomeadamente no caso do grande consumo os distribuidores desenvolviam as suas marcas baseando-se em produtos da marca líder e criavam a suas marcas com um baixo custo e sem investimento na inovação, comunicação e desenvolvimento da embalagem, ou seja centram-se na estratégia do preço baixo e competitivo.

As marcas da distribuição são uma fonte de criação de promoção aos retalhistas / distribuidor, uma vez que os posiciona e diferencia. Com o passar do tempo os consumidores passaram a estar mais conscientes sobre os produtos das marcas da distribuição e a consumi-los, fazendo com que houvesse mais interacção e experiência com esses produtos. «Em 2008 as marcas do distribuidor tiveram uma quota de mercado de 34% em Portugal, quando no ano anterior representavam apenas cerca de 11%» (Simões, 2009: 22).
Através da figura 3 é possível verificar de forma sucinta as alterações estratégicas associadas as marcas da distribuição.

Figura 4 - Evolução estratégica das marcas da distribuição

Evolução estratégica das marcas da distribuição

3.7.5. As suas funções

Associado aos distribuidores, a criação das suas próprias marcas tem as seguintes funções (Simões, 2009: 20):

  • Permite a extensão da marca (apesar de muitos produtos possuírem marcas com insígnias diferentes.);
  • Aumento dos lucros;
  • Reforço da quota de mercado que por sua vez aumenta o poder dos distribuidores junto dos grandes fabricantes;
  • Diminui a dependência junto dos fabricantes, uma vez que melhoram a sua rendibilidade, dadas as margens superiores;
  • Diferenciação face à concorrência que irá permitir a exclusividade das marcas da distribuição resultará num aumento de número de lojas e também da lealdade.

Para o consumidor as marcas da distribuição proporcionam um melhor acesso à aquisição de produtos, uma vez que a principal estratégia é o baixo preço e actualmente conjugado com uma boa qualidade. Uma questão apontada por Kapferer (2000) relativamente às marcas do distribuidor é que «a marca do distribuidor esconde o fabricante e não pode portanto identificá-lo. Isto coloca aliás, um problema na atribuição de rótulos de qualidade a uma marca de distribuidor porque esta pode mudar de fabricante com o tempo» (Kapferer 2000:139).

Segundo Simões (2009: 21) a função dos distribuidores perante as suas próprias marcas passa por:

  • Gerir a cadeia de produção;
  • Fiscalizam a rastreabilidade e segurança;
  • Controlam as campanhas de Marketing e Publicidade;
  • Controlam a qualidade dos seus produtos e o inventário.

3.7.6. Tipos de marca da distribuição

Segundo Cunha e Carvalho (1998: 134-140) as marcas do distribuidor podem assumir os diferentes tipos:

  • Produtos genéricos ou sem marcas: produtos sem marca que diferenciam da concorrência. Posicionam-se somente pelo baixo preço. Com o aumento da concorrência passou a existir nas grandes superfícies produtos desprovidos de marca, cujo posicionamento era baseado baixo preço e qualidade aceitável.
  • Produtos com marca: Para os produtos com marca existem três tipos, com o nome da loja, marca independente do nome da loja e Griffe exclusivo, ou seja, criado por estilistas mas com a parceria exclusiva de um distribuidor.

Por sua vez, e de modo a complementar esta questão Kapferer (2000: 139) indica que associado as marcas da distribuição existem as:

  • Contra-marca - cuja táctica baseia-se na criação de uma marca em que o nome, embalagem, design, entre outras características inerentes a essa marca vá ao encontro de uma imitação melhor possível da marca líder desse mesmo produto;
  • Marca própria – marca cujo nome é diferente da divisa;
  • Marca bandeira / Marca divisa – marca cujo nome está inerente ao nome da divisa.

3.8. Conclusão

As marcas são uma espécie de “contrato” para o consumidor, uma vez que quando estabelecida uma relação de confiança entre o consumidor e uma marca, o acto de compra deixa de ter um risco elevado, pois o consumidor sabe o que é que está a comprar e qual o retorno que vai ter em adquirir aquele mesmo produto, daquela determina marca.
Quem estabelece o “destino” de uma marca é o consumidor, e tal como foi referido no capítulo II, devido aos avanços tecnológicos o consumidor tem mais facilidade em trocar entre si as suas experiências de compra.
As marcas da distribuição são um fenómeno relativamente recente em Portugal, e é notória a aposta por parte dos distribuidores em investir nas suas próprias marcas. Surgem as marcas da distribuição cuja estratégia não passa somente por colmatar necessidades básicas, mas actualmente com uma estratégia baseada numa relação qualidade/preço bastante competitiva para os consumidores.

Tabela 2 - Diferenças entre as marcas dos produtores e as marcas da distribuição.

Diferenças entre as marcas dos produtores e as marcas da distribuição

É de referir ainda que a procura a essas mesmas marcas tem vindo a aumentar nomeadamente por parte dos portugueses. No próximo capítulo irei apresentar uma contextualização sobre a entrada das marcas da distribuição no mercado português e a sua evolução.

Partilhar

 

Inscreva-se na Digital Marketers