2.3. O consumidor do século XXI
Ao longo dos tempos, nomeadamente nos últimos anos tem-se assistido a alterações constantes no comportamento do consumidor, segundo Lewis (2001: 19) o novo consumidor é individualista, envolvido, independente e bem informado. Considera que este novo consumidor surge das alterações tecnológicas.
Kotler (2011) indica que vivemos numa era em que a partilha de informação não é realizada verticalmente, ou seja, entre empresa e os consumidores, mas sim numa era cuja partilha de informação é horizontal, ou seja, a comunicação é realizada entre os próprios consumidores. O actual consumidor é céptico relativamente a opiniões vindas de publicidades, uma vez que julgam que essa mesma informação não é credível. Estas alterações devem-se às evoluções tecnológicas que permitem que o consumidor partilhe entre si as suas experiências de consumo.
O Marketing efectuado pelas empresas sofreu alterações e «nos últimos 60 anos, o marketing deixou de se centrar no produto (Marketing 1.0) para se centrar no consumidor (Marketing 2.0)» (Kotler, 2011: 11). Contudo, actualmente já se fala de Marketing 3.0, ou seja, Marketing orientado para os factores “humanos”. Esta preocupação com factores “ligados ao coração” do consumidor surge quando as empresas constatam que o consumidor é participante activo, logo é preciso ir ao encontro desses consumidores, e por vezes superar as expectativas dos mesmos, de modo a beneficiar quem consome esse mesmo produto. É importante também referir que o actual consumidor encontra-se bem informado e preparado para saber quais os produtos mais vantajosos a consumir. Kotler (2011:21) caracteriza esta nova era como sendo a de participação, globalização e de sociedade criativa. O actual consumidor é caracterizado por ser muito participativo, isto deve-se à possibilidade de partilha de opinião através do uso de média sociais expressivos (blogues, youtube, Facebook, entre outros) e média colaborativos (wikipédia, Rotten Tomatoes, entre outros).
Outra questão relacionada com o novo consumidor é a fonte de informação credível para os mesmos, actualmente depara-se que os consumidores passaram a confiar mais em outros consumidores do que nas empresas, isto devido à utilização das redes sociais que permitem a partilha de informação.
«Segundo a Pesquisa Global da Nielsen, menos consumidores confiam em publicidade gerada por empresas. Os consumidores recorrem ao «passa-palavra» como uma forma nova e credível de publicidade em que podem confiar. Cerca de 90% dos consumidores inquiridos confiam em recomendações de pessoas que conhecem. Para além disso, 70% dos consumidores acreditam em opiniões de consumidores colocadas online» (Kotler, 2011:42).
Segundo Kotler (2011:45-46), os actuais consumidores são influenciadores das marcas e valorizam a co-criação, a comunização e a construção de carácter. A co-criação está relacionada com a criação de produtos através da cooperação das empresas, consumidores, fornecedores e de parceiros interconectados numa rede de inovação. A comunização está relacionada com a necessidade dos consumidores em quererem estar ligados a outros consumidores e não a empresas, ou seja as empresas devem servir os membros da comunidade. Por último a construção de carácter está relacionado com a veracidade de uma marca, ou seja, uma marca deve ser verdadeira e proporcionar experiencias à altura que afirmam.
O actual consumidor deve ser visto como ser humano completo, ou seja deve ser percepcionado como sendo constituído por «um corpo físico, uma mente capaz de pensamento e análise independentes, um coração que consiga sentir emoções e um espírito» (Kotler, 2011: 47).
Devido a este novo tipo de consumidor é necessário que haja uma harmonia entre a marca, posicionamento e diferenciação. Actualmente e visto a comunicação ser realizada horizontalmente, de consumidores para consumidores, em vez de verticalmente, entre empresa e os consumidores, é necessário referir o quão importante é a identidade, a integridade e a imagem da marca. A identidade de uma marca pode ser reconhecida pelos consumidores, mas essa mesma identidade pode não ser considerada uma boa identidade. O posicionamento, segundo Kotler (2011) é importante para estabelecer a autenticidade de uma marca junto do consumidor. Por último a diferenciação é a relação entre a promessa da marca e o cumprimento dessa mesma promessa junto dos seus consumidores. A integridade, identidade e imagem da marca são referidas pelo autor como o modelo dos «Três I».
O actual consumidor encontra-se na era da abundância de informação e comunidades em rede, nesse sentido uma marca para ser bem-sucedida necessita de ter um forte posicionamento e uma boa diferenciação. As empresas têm como principal desafio, chegar à mente, coração e espírito dos consumidores. Seguindo essa exacta necessidade é importante referir qual a missão, razão da existência de uma empresa; a visão, situação aspirada pela empresa; e os valores de uma empresa, que são os padrões pelos quais se rege uma determinada empresa. Uma marca deve ir ao encontro do que os consumidores procuram, ou seja, deve ser uma forma de realização de vontades emocionais.
Actualmente todas as marcas estão cada vez mais a mercê dos consumidores, uma vez que são estes quem traçam o destino das marcas. É de salientar que através das redes sociais, os consumidores traçam os destinos das marcas e que os consumidores dão cada vez mais valor a preocupações sociais. Neste âmbito reforço a importância de uma marca em envolver os potenciais consumidores na criação das suas marcas.
Na 4ª edição do estudo “Edelman Good Purpose“ (3) o consumidor do século XXI é designado por ser um consumidor activista, que participa e age acreditando em uma parceria entre Estados, empresas e consumidores. Este estudo, apesar de ainda não ter sido realizado em Portugal, foi efectuado em 13 países e a 7259 pessoas e retrata uma tendência do consumo. Identifica ainda que a questão social passou a ser tomada com uma grande importância para os consumidores.
3 - Dados disponíveis em: www.grupogci.net/pt/knowledge/edelman-trust-barometer/, consultado a 20 Junho de 2011.
Tabela 1 - Diferenças entre antigo e novo consumidor
